
Imagine que você está observando o crescimento de uma planta. No começo, ela cresce devagar, mas à medida que o tempo passa, esse crescimento acelera. A altura da planta em um certo instante depende de quanto tempo já passou, certo? Agora, imagine que, ao invés de apenas medir a altura da planta em cada momento, você quer entender como a taxa de crescimento da planta está mudando ao longo do tempo. É aí que entra o conceito de equações diferenciais.
As equações diferenciais são usadas justamente para modelar situações em que queremos descrever como algo está mudando ao longo do tempo ou em relação a outra variável. Em vez de simplesmente dizer qual é o valor de uma variável, como a altura da planta, elas nos dizem como essa variável está variando. Por exemplo, no caso da planta, podemos modelar a taxa de crescimento dela com uma equação diferencial que relaciona a altura com o tempo e a forma como essa altura muda com o tempo.

Um exemplo bem simples é o seguinte: digamos que você está dirigindo um carro. A distância que você percorre depende da velocidade em que você está. Se soubermos a sua velocidade a cada momento, podemos usar uma equação diferencial para determinar a distância total percorrida. Nesse caso, a distância \(s(t)\) que você percorre ao longo do tempo \(t \) está relacionada à sua velocidade \(v(t) \) por meio da equação diferencial:
\[ \frac{ds}{dt} = v(t)\]
Aqui, a equação está dizendo que a taxa de variação da distância \( \left(ds/dt\right)\) é a velocidade do carro. Se você souber a velocidade em cada instante, pode calcular a distância total percorrida resolvendo essa equação.

Outro exemplo prático são os circuitos elétricos. Imagine um circuito simples com uma bateria e um resistor. A corrente elétrica que passa pelo circuito depende da tensão da bateria, mas também do tempo, já que ela varia até se estabilizar. A lei de Ohm e as leis de Kirchhoff nos dão equações diferenciais que descrevem como essa corrente se comporta. Por exemplo:
\[ L \,\frac{d^2Q}{dt^2} + R\,\frac{dQ}{dt} + \frac{Q}{C}= V(t),\] onde \(Q(t)\) é a carga no instante \(t\) e \(V(t)\) é a fonte de energia no mesmo instante.
Esses exemplos mostram que as equações diferenciais estão por toda parte, descrevendo fenômenos naturais e artificiais. Elas são a ferramenta ideal quando queremos modelar situações em que algo está mudando e queremos entender essas mudanças de maneira precisa. Seja o movimento dos planetas no espaço, o crescimento de populações ou até a propagação de calor, as equações diferenciais nos ajudam a transformar a realidade em matemática.
Observe que os fenômenos que descrevem dependem unicamente de uma variável, o tempo, e suas derivadas são ordinárias (como em cálculo de uma variável). Esse tipo de equações se chamam equações diferenciais ordinárias ou EDO.
Por outro lado, existem fenômenos que dependem de mais de uma variável. Pense, por exemplo, na temperatura de uma barra de metal. Ela varia tanto com o tempo \(t\) quanto com a posição ao longo da barra \(x\). Para descrever essas situações, usamos derivadas parciais — derivadas em relação a uma variável enquanto mantemos as outras fixas. Esse tipo de equação se chama equação em derivadas parciais, ou EDP.
Um exemplo famoso é a equação do calor, que descreve como o calor se espalha ao longo de uma barra metálica:
\[\dfrac{\partial u}{\partial t}=k \dfrac{\partial^2 u}{\partial t^2}\]
Aqui, \(u(x,t)\) representa a temperatura em uma posição \(x\) e em um instante \(t\). Temos derivadas parciais tanto em relação ao tempo \(t\) quanto em relação ao espaço \(x\).
Relaxa! Neste texto vamos nos concentrar apenas nas EDOs. Pode respirar :-)
Nosso objetivo agora é entender bem essas equações que dependem de apenas uma variável independente (como o tempo) antes de avançar para temas mais complexos.