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Redutíveis a exata

 

Já chegou até aqui? Sem pular etapas? Parabéns!!!! Uhuuuu

Agora veremos um tipo de EDO que não é exata, mas mesmo assim existe uma função mágica \(\mu(x,y)\) que transforma a EDO em exata. Essa função é chamada de fator integrante. 

Sim, este fator integrante é irmãozinho do fator integrante das EDO lineares. Você está certo!

Vamos tentar resolver a EDO \((e^{2x}+y-1)\, dx-dy=0,\) sabendo que \(\mu=e^{-x}\) é um fator integrante.

Fazendo \(M(x,y)=e^{2x}+y-1\) e \(N(x,y)=-1\), vemos que 

\(\dfrac{\partial M}{\partial y} =1\) e \(\dfrac{\partial N}{\partial x} = 0.\)

Como \(\dfrac{\partial M}{\partial y} \neq \dfrac{\partial N}{\partial x}\)​, a equação não é exata.

Vamos multiplicar a EDO pela função \(\mu(x)=e^{-x}\):

\(e^{-x}(e^{2x}+y-1)\,dx-e^{-x}\,dy=0.\)

Simplificando:

\(e^{x}+(y-1)e^{-x}) \, dx -e^{-x} \, dy = 0.\)

Verifiquemos agora que sim é exata:

Identificamos \(M(x,y)=e^{x}+(y-1)e^{-x}\) e \(N(x,y)=-e^{-x}\)

Calculamos as parciais, 

\(\dfrac{\partial M}{\partial y} = e^{-x}\) e \(\dfrac{\partial N}{\partial x} = e^{-x}.\)

Como \(\dfrac{\partial M}{\partial y} = \dfrac{\partial N}{\partial x}\), a nova equação sim é exata.

E sendo exata, podemos resolvê-la normalmente.

Integramos \(N(x,y)\) em relação a \(y\) para encontrar a expressão de \(f(x,y)\):

\(f(x,y)=\displaystyle\int N(x,y)dy + h(x)=\displaystyle\int -e^{-x}dy + h(x)=-e^{-x}y+h(x)\)

Derivamos a expressão anterior em relação a \(x\) e igualamos a \(M(x,y)):

\(e^{-x}y+h'(x)=e^{x}+(y-1)e^{-x}\)

Simplificando:

\(h'(x)=e^{x}-e^{-x}\)

Derivando:

\(h(x)=e^{x}+e^{-x}\)

Então a função potencial é:

\(f(x,y)=-e^{-x}y+e^{x}+e^{-x}\)

E a solução geral da EDO é:

\(-e^{-x}y+e^{x}+e^{-x}=C,\) onde \(C\) é uma constante arbitrária.

ou equivalentemente,

\(y=e^{x}\left(C+e^{x}+e^{-x}\right)=Ce^x+e^{2x}+1,\) onde \(C\) é uma constante arbitrária.

O campo de direções da EDO é apesentado na figura a seguir. As curvas vermelhas representam as curvas integrais:

Campo de direções da EDO \(y'=e^{2x}+y-1\)

Teste sua leitura

Pergunta

A função \( \mu(y) = \dfrac{1}{y} \) é um fator integrante para a seguinte EDO?
\[xy \, dx + y \ln y \, dy = 0\]

Respostas

Sim, pois torna a equação exata. 

Não, pois a EDO já é exata.

Não, pois não torna a equação exata

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Pergunta

A função \( \mu(y) = x^2 \) é um fator integrante para a seguinte EDO?

\[(2x + 3y) \, dx + (3x + 4y) \, dy = 0\]

Respostas

Sim, pois torna a equação exata. 

Não, pois a EDO já é exata.

Não, pois não torna a equação exata

Feedback

Pergunta

A função \( \mu(x) = x^2 \) é um fator integrante para a seguinte EDO?

\[(2xy^3 + y^4)dx + (x^2y^2 + 2xy^3)dy = 0\]

Respostas

Sim, pois torna a equação exata. 

Não, pois a EDO já é exata.

Não, pois não torna a equação exata

Feedback

Pergunta

A função \( \mu(x) = \frac{1}{x} \) é um fator integrante para a seguinte EDO?

\[x(\cos x + y) dx + x^2 dy = 0\]

Respostas

Sim, pois torna a equação exata. 

Não, pois a EDO já é exata.

Não, pois não torna a equação exata

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CÁLCULO DO FATOR INTEGRANTE

Agora vem a parte complicada... Como calculo esse fator integrante?

Lembrando que queremos encontrar uma função \(\mu(x,y)\) tal que 

\[\mu(x,y) M(x,y)dx+\mu(x,y)N(x,y)=0\]

seja exata.

Para isso \(\frac{\partial (\mu M)}{\partial y} = \frac{\partial (\mu N)}{\partial x}\)

Vamos abrir essas parciais:

\( M\,\mu_y+ M_y \,\mu= N \,\mu_x+ N_x\,\mu \quad \) (1)

Para simplificar as contas, vamos distinguir três casos:

Caso 1: \(\mu\) só depende de \(x\).

Então \(\mu_y=0\) e podemos simplificar a equação (1):

\( M_y\, \mu = N\,\dfrac{d\mu}{dx} + N_x \,\mu\)

Isolando \(\dfrac{d\mu}{dx}\) obtemos a seguinte expressão: 

\(\dfrac{d\mu}{dx}=\dfrac{M_y-N_x}{N}\, \mu\) (2)

Agora vem a parte importante. Se \(\dfrac{M_y-N_x}{N}\) não depender de \(y\). Então (2) é uma EDO linear de primeira ordem.

Resolvendo essa EDO:

\(\displaystyle{\mu(x)=e^{\int\, \frac{M_y-N_x}{N}\, dx}}\)

Caso 2: \(\mu\) só depende de \(y\).

Então \(\mu_x=0\) e podemos simplificar a expressão (1):

\( M\,\dfrac{d\mu}{dy}+ M_y \,\mu= N_x\,\mu\)

Isolando \(\dfrac{d\mu}{dy}\) obtemos a seguinte expressão: 

\(\dfrac{d\mu}{dy}=\dfrac{N_x-M_y}{M}\, \mu\) (3)

Agora vem a parte importante. Se \(\dfrac{N_x-M_y}{M}\) não depender de \(x\). Então (3) é uma EDO linear de primeira ordem.

Resolvendo essa EDO:

\(\displaystyle{\mu(y)=e^{\int\, \frac{N_x-M_y}{M}\, dy}}\)

Caso 3: \(\mu\) depende de \(x\) e de \(y\).

Nesse caso, vamos ter que esperar a um cálculo mais avançado porque a equação (1) seria uma Equação em Derivadas Parciais (EDP) e nesse curso somente estudamos Equações Diferenciais Ordinárias (EDO).

A resposta seria, não admite fator integrante. Embora possa admitir em um caso mais geral do que o contemplado nesse texto.

\(f_x\) denota a derivada parcial da função \(f\) em relação a \(x\), isto é, \(\frac{\partial f}{\partial x}\). Analogamente, \(f_y\) denota a derivada parcial da função \(f\) em relação a \(y\), isto é, \(\frac{\partial f}{\partial y}\)

Teste sua leitura

Pergunta

A EDO \(y \, dx + x \ln x \, dy = 0\) admite fator integrante?

Respostas

sim

não

Feedback

Pergunta

A EDO \( \left( \sin(x)+3y\right)dx+y\ln(x)dy=0\) admite fator integrante?

Respostas

Sim

não

Feedback

Pergunta

A EDO \( \left(3x^3+y\right)dx+xy^2dy=0\) admite fator integrante?

Respostas

sim

não

Feedback

Pergunta

A EDO \((2xy^3 + y^4)dx + (x^2y^2 + 2xy^3)dy = 0\) admite fator integrante?

Respostas

sim

não

Feedback

METODO PARA RESOLVER EDO REDUTÍVEL A EXATA

Pronto! Já estamos preparados para resolver uma EDO que não é exata, mas que ainda dá um jeito de resolver.

Consideremos a EDO \(M(x,y)\, dx + N(x,y)\, dy=0\) não sendo exata, isto é, quando \(\dfrac{dM}{dy}\neq \dfrac{dN}{dx}\).

Resumindo: O método para resolver EDO redutíveis a exatas é uma técnica para resolver EDOs de primeira ordem quando a EDO não exata admite um fator integrante. Os passos são:

1. Reorganizar a equação para colocar ela na forma padrão para dentificar \(M(x,y)\) e \(N(x,y).\)
2. Verificar se a EDO é exata: \(\frac{\partial M}{\partial y}=\frac{\partial N}{\partial x}.\) Se for exata resolva segundo o método das EDO exatas.
3. Se \(\frac{\partial M}{\partial y}\neq \frac{\partial N}{\partial x},\) calcule o fator integrante \(\mu(x,y)\) integrando \(\dfrac{M_y-N_x}{N}\) em relação a \(x\) ou \(\dfrac{N_x-M_y}{M}\) em relação a \(y\)), segundo o caso.
4. Multiplicar a EDO toda (à esquerda e à direita da igualdade) pelo fator integrante e conferir que agora é uma EDO exata.
5. Resolver a nova EDO exata.
6. Escrever a solução geral \(f(x,y)=C\), onde \(C\) é uma constante arbitrária.
7. Usar a condição inicial, se disponível, para encontrar a solução particular (substituindo a condição inicial e calculando o valor de \(C\)).

A continuação propomos alguns exercícios para você treinar. Força!!

Verifique que a seguinte equação diferencial não é exata e determine sua solução geral.

\[\left(y^2x+x\right)dx-\left(yx^2\right)dy=0\]

Se você resolveu a questão anterior utilizando um fator integrante \(\mu(x)\), resolva utilizando um fator integrante \(\mu(y),\) ou vise-versa. O que você conclui a partir disso?

Isso é possível porque \(\dfrac{\partial f}{\partial y}=N(x,y)\) já que a EDO é exata.

\(g(y)\) somente depende de \(y\), portanto você deve poder cortar todo o que tiver \(x\) da equação. Se não conseguir, alguma coisa estará errada!

As primitivas de uma função de uma variável diferem em uma constante. Isto é, todas são da forma \(F(x)=\int f(x) dx + K\). Isso porque, ao derivar \(F(x)\) em relação a \(x\), fica somente \(f(x)\), pois a derivada de uma constante é zero.
Já quando você integra uma função de duas variáveis \(f(x,y)\) em relação \(x\), essa constante \(K\) agora vira uma função da outra variável \(y\). Isto é, \(F(x,y)=\int f(x,y)\,dx + g(y)\). Isso porque, ao derivar \(F(x,y)\) em relação a \(x\), fica somente \(f(x,y)\), pois a derivada de \(g(y)\) em relação a \(x\) é zero.
Analogamente, se integramos \(f(x,y)\) em relação \(y\), essa constante \(K\) agora vira uma função da outra variável \(x\). Isto é, \(F(x,y)=\int f(x,y)\,dy + h(x)\). Isso porque, ao derivar \(F(x,y)\) em relação a \(y\), fica somente \(f(x,y)\), pois a derivada de \(h(x)\) em relação a \(y\) é zero.

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